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segunda-feira, dezembro 26, 2011

Te encontro na rotina

Como o vento que surge no momento em que o calor aquece violentamente, assim é a tua palavra me trazendo esperança.

Como o mendigo que quis pagar meu “dog” na porta do Clube da Cidade, assim é a tua palavra me mostrando que você não é religião.

Como o silêncio que surge depois da perda de alguém essencial, assim é a tua palavra me trazendo confiança.

Como as boas vindas que recebo do Billy quando chego em casa, assim é a tua palavra me mostrando que você é acessível.

Como o centésimo gol do Rogério Ceni depois de uma cobrança de falta perfeita, assim é a tua palavra me trazendo alegria.

Como foi cada ida aos estádios de futebol com meu pai, assim é a tua palavra me mostrando que você gosta de passar o tempo comigo.

Como cada bom dia que chega ao meu celular toda manhã, assim é a tua palavra me trazendo a incompreensível misericórdia.

Como cada almoço feito pela minha mãe, assim é a tua palavra me mostrando que o amor é uma escolha.

Como cada conversa que tenho com meu irmão depois de uma discussão, assim é a tua palavra me ensinando o perdão.

domingo, dezembro 11, 2011

02do12


Dia 02 de dezembro de 1956, dia em que o iate Granma desembarcou na costa cubana com o Exército Rebelde de Fidel Castro, dia que se tornou o nome do Blog que eu e o Gabriel Veiga criamos e dia que traz um grande ensinamento em suas entrelinhas.

Meditei no acontecimento de 1956 e concluí que é extremamente importante conviver com pessoas que nos apoiam. É necessário ter amizades com aqueles que acreditam em nós e nos incentivam. Bom, pelo menos para mim é importante.

Fidel tinha despertado o sonho naquelas pessoas e os liderava rumo a uma guerra arriscada. O desembarque foi frustrante. Perderam parte dos suprimentos e três dias depois foram surpreendidos pelo Exército de Fulgêncio Batista.

Houve muitas baixas. Sobraram um pouco mais de vinte guerrilheiros, dos oitenta e dois que viajaram.

- É número suficiente para lutar e conseguir a independência de Cuba – disse Fidel.

Nunca vivi algo tão extremo, mas sempre busquei contextualizar algumas histórias com a minha realidade.

Lembrei do meu último semestre na Bolívia. Passei dificuldades que nunca havia vivido. Foram seis meses aprendendo com essas situações. Éramos duas pessoas, eu e meu amigo Magal, correndo atrás dos objetivos.

Magal acordava às seis da manhã para treinar e não perdia a esperança de jogar em um time profissional do campeonato Boliviano. Toda semana aparecia alguma proposta, mas eram somente palavras, nada concreto.

À noite, quando eu chegava da Faculdade, conversávamos sobre o nosso dia. Eram dias de vacas magras e o desânimo tomava conta. Perguntávamo-nos o porquê de as coisas não estarem saindo do modo como gostaríamos.

Então eu lhe dizia:

- Mano, não desanima não! Você ainda vai jogar no Real Madrid e eu vou trabalhar na CNN do México!

Eram sonhos que estavam distante dali. Sabíamos que dificilmente se realizariam, mas essas ideias nos davam força para trabalhar. Eram o nosso combustível!

Um detalhe que fez a diferença era que não estávamos rodeados de pessoas pessimistas para colocar barreiras em nossas mentes.

Não é muito agradável conviver com gente que na primeira oportunidade joga um balde de água fria no nosso sonho e, muitas vezes, nos faz parar e desistir da jornada.

Bom, as coisas pioraram, meu pai faleceu e resolvi voltar.

Hoje a realidade é outra, tenho mais mordomia e a dificuldade é não se deixar alienar pela mídia e pelo consumismo.

Sempre me animo quando me lembro dessas histórias. Elas me ensinaram que uma utopia faz bem quando nos faz andar.

Fidel animou os demais e conseguiu chegar ao seu objetivo dois anos mais tarde.

A Revolução Cubana me inspira. A beleza desse acontecimento histórico está nos detalhes. Dedicação, superação e extraordinária caminhada.

                                                 “Hasta la victória, siempre!" – Fuser


quarta-feira, novembro 02, 2011

Percepção nos passos

A temperatura estava agradável e as nuvens decoravam o céu  com suas formas imaginárias.

Dia propício para uma caminhada.

Vestiu a camisa de seu time do coração, uma bermuda e um chinelo. Estava contente, queria desfrutar daquele dia que, igual a todos os outros, era único!

Abriu a porta e saiu pelas ruas do bairro.

Observou os pássaros que voavam de uma árvore à outra.  Árvores que se destacavam pela chegada da primavera. Sentiu falta de seus amigos que já não moravam por ali. A rua já não era mais a mesma.

Seguiu sentido ao centro. Ao entrar pela avenida principal, deparou - se com a multidão que caminhava para lá e para cá. O ritmo da avenida era tão intenso que as pessoas se esbarravam,  mas não se percebiam.

O cenário estava frenético. Pessoas regressavam para suas casas depois de um dia de trabalho enquanto crianças corriam eufóricas, anunciando o fim da aula. Havia um senhor em situação de rua que pedia encarecidamente uma esmola e, do outro lado da calçada, uma caixa de som gritava as promoções de uma loja. Na rua, carros e motos duelavam por um pedaço de chão enquanto bicicletas trafegavam pela contramão.

De repente,  surgiram pensamentos em sua mente. Questionava-se como o individualismo tinha entrado na vida de muitos e como a rotina colaborava para o avanço desse comportamento.

Também percebeu que a competição fazia parte do dia a dia das pessoas. Recordou que escolas e universidades ensinam que é necessário estudar muito para ser o melhor no mercado de trabalho, que políticos lutam entre si para ver quem é o rei da mentira e quem chegará ao cargo tão almejado. Também se lembrou das religiões, que disputam fiéis e os incentivam a viver lutando por vitórias.

Lembrou-se de um conhecido que foi assassinado por seu próprio irmão porque, ah... nem é bom expor.

Seus pensamentos o levaram até o fim da avenida e quando a "Dona Noite" começou a tomar seu espaço, talvez competindo e vencendo a "Dona Tarde",  decidiu caminhar de volta ao seu aconchegante lar.

Na volta se deparou com a mesma situação caótica do centro e com as bonitas ruas de seu bairro.

Ao entrar em sua casa, sentou-se e se auto-avaliou. Chegou à conclusão que todos, de uma forma ou outra, se deixam levar pelo individualismo e pela indiferença. Percebeu o quanto já fora influenciado pelo entorno social e sentiu “um certo” medo ao entender que sua vida poderia estar sendo mal aproveitada.

"Será que há cura para essa tal indiferença? Como deixar de ser individualista e se transformar em uma pessoa generosa?" - pensou em voz alta.

Na verdade,  ninguém é inocente nessa história!






quarta-feira, outubro 12, 2011

O Outro Lado

Era uma vez um homem que não quis viver na "rabeira" da história de ninguém e desejou conhecer o Outro Lado.

Decidiu se esforçar ao máximo até chegar lá, mas para isso teve que abrir mão de algumas preciosidades.

Resolveu se arriscar por inteiro.

Deu o primeiro passo, caminhou alguns metros, foi criticado por muitos e andou cada vez mais rápido até alcançar uma velocidade considerável.

- Só paro quando tenho sede - afirmava.

Pisou em areias, terras, gramas e cimentos. Se deparou com vendavais e sentiu o chão tremer.

Escutou o que não compreendeu. Enxergou sorrisos e lágrimas.

Conheceu quem dormia com ratos e aprendeu a gostar de mostarda.

O Outro Lado o fascinou!




domingo, setembro 18, 2011

Conclusões

A matéria de capa da revista National Geographic Brasil do mês de julho de 2011 fez a minha mente “viajar".

O texto fala sobre Cleópatra, uma extraordinária mulher que governou o Egito e conseguiu despertar a paixão de dois poderosos romanos: Júlio César e Marco Antônio.

A história dessa egípcia é cheia de enigmas. Alguns historiadores crêem que ela era muito linda e sensual. Outros,  acreditam que ela não era tão bonita, mas cativava as pessoas com a sua inteligência. Também existem boatos de que ela era muito má.
Bom, podemos acreditar que ela era linda, sensual e inteligente, ou que não era nada disso. Qualquer opção não mudará o que ela foi realmente.

Analisando o texto, comecei a pensar que não é necessário fazer muito esforço para criar uma imagem distorcida de alguém.

Essa situação acontece diariamente conosco. Tiramos conclusões sobre outras pessoas e outras pessoas tiram conclusões sobre nós.

Construímos conceitos, na maioria das vezes equivocados, quando reparamos na vestimenta, no jeito de andar, no modo de falar, nos bens materiais e não procuramos conhecer a pessoa de uma forma verdadeira. E com toda essa superficialidade de relacionamentos em redes sociais, uma simples foto no facebook já nos dá margem para dizer que tipo de pessoa é aquela.

A mídia é outra especialista. Cria heróis e vilões. Usa a imagem de políticos, jogadores, atores, líderes religiosos e outros mais, da forma que desejam. Segundo seus interesses, distorce a realidade.

Também somos enganados quando escutamos fofocas sobre outras pessoas. Automaticamente criamos uma imagem da pessoa exposta. Pior é, quando somos nós os fofoqueiros, que sentimos prazer ao denegrir a imagem do outro.

Talvez nos “tornamos” mais santos, mais justos, mais honestos, mais chiques quando julgamos alguém. Esse engano faz bem pra auto-estima, traz um “ar” de superioridade. Mas também pode trazer uma sensação de inferioridade quando o outro é “melhor” do que nós.

É extremamente importante desenvolver uma mentalidade crítica e fazer uma limpeza nos pensamentos. É necessário quebrar paradigmas que nos fazem pensar como robôs. Essa é uma tarefa difícil e exige um pouco de esforço.

Não conheci a Cleópatra e na verdade não me importo se ela foi bela ou feia, bondosa ou má. O importante é não julgar sem conhecer e não tomar partido sem entender o ocorrido.


quarta-feira, julho 20, 2011

Amigo


Às vezes está perto,
Às vezes está longe,
Às vezes está perto mesmo estando longe,
Corre do lado,
Corre sem disputar,
Está junto na vitória,
Está junto na derrota,
Não faz “cena”,
Não faz “média”,
Não é de mentira,
É de verdade
É raro,
Faz falta,
Faz “várias”
Torna - se irmão,
Torna - se pai,
Torna - se mãe,
Torna - se família!

quinta-feira, junho 23, 2011

A Casa da Cultura

A sua família é importante pra você? Sim? Não? Só quando você precisa?

Essa pergunta me inquieta e me impulsiona a ser melhor em meu ambiente familiar. Eu tento melhorar a cada dia porque sei que posso ser um melhor filho para a dona Terezinha e um irmão mais “firmeza” pro Fom.

Hoje em dia, com a rapidez da informação, não é difícil se deparar com notícias sobre famílias que estão sofrendo pela falta de estrutura. Talvez essas notícias causem desesperança em outros lares, mas ainda existem bons exemplos que resistem!

Em 2009, morei com uma família que me ensinou a valorizar e a enxergar as pessoas além dos seus erros.
Ao invés de chorar pelas dificuldades e imperfeições de cada um, buscava na unidade e na verdade a resposta para um lar mais estruturado.

A residência era bonita e agradável. O quintal era grande e tinha algumas árvores. A rua era de terra, a cidade era Santa Cruz de la Sierra e o país era a Bolívia. Mas, o que fazia a casa ser especial eram as pessoas que moravam nela. Iraí, Silvia, Ana e Toshie, essa é a família que eu chamo de “A Família da Casa da Cultura”.

Bom, a Silvia é esposa do Irai e juntos são os pais da Ana. A Toshie foi morar com eles porque sua família estava no Japão.

O dia-a-dia era corrido. Cada um tinha seus afazeres. Mas, mesmo assim,  a correria não tirava os momentos em família. No almoço, todos nós comíamos juntos ao redor da mesa, e na janta também. Nesse tempo de alimentação surgiam assuntos de todo tipo. Falávamos do governo, de missões, de família, do passado, do futuro e da “minazinha” da venda que nunca me atendia.

Nós também tínhamos o “tempo de família”. Toda sexta nos reuníamos e compartilhávamos como foi nossa semana e quais dificuldades estávamos vivendo. Isso era ótimo porque fortalecia a amizade e trazia a oportunidade de ajuda mútua.

A Anita era a alegria da casa, tinha um aninho na época e já era elétrica. Não parava um minuto, mas eu não me espantava porque ela tinha a quem puxar.

A Silvia sempre estava atenta com a Anita e com o Irai. Era uma pessoa muito disposta e cozinhava super bem, deixava todo mundo feliz!

A Toshie era a minha irmãzinha. Ela “mirava película” comigo e quando eu não entendia os filmes sem legenda, ela traduzia pra mim. Ela dizia pra eu não falar em português, mas ela sabia o porquê de eu não tentar falar em espanhol perto dela. Ah, ela também conhecia toda a historia do continente americano e me ajudava a lavar louça!

Bom, o Iraí lia mais livros que o Jô Soares. Na casa, ele era o nosso conselheiro. Sempre verdadeiro, falava na cara o que tinha que falar. Sempre acreditava no potencial das pessoas. Era um incentivador, um Barnabé contemporâneo.

Eram culturas diferentes, idiomas diferentes, estilos diferentes e talentos diferentes. Por essas diferenças eu apelidei a casa de “A Casa da Cultura”. Foi uma experiência espetacular.

É muito fácil sermos estranhos em nossa própria casa e vivermos num ambiente vazio e egoísta. Com eles, aprendi que o caminho é o diálogo, o respeito e o amor citado em 1º Coríntios 13.

Hoje, dois anos e meio depois, cada um está em uma parte do mundo. Estão ensinando outras pessoas a valorizarem suas famílias no Canadá, no Japão e no Brasil.

- Hasta siempre Família!

domingo, maio 08, 2011

Parceria verdadeira

Dias atrás, logo depois de abrir a geladeira pra pegar o leite, olhando pro Toddy em cima da mesa, lembrei de uma situação que vivi quando eu morava na Jocum de Maringa/PR.

Raramente eu tinha dinheiro sobrando para comprar alguma coisa diferente no mercado, e naquele dia apareceram alguns reais a mais no meu bolso. Aproveitei para comprar uns pacotes de bolacha e um Toddy.

Voltei, tomei um banho e quando a noite chegou, a fome chegou junto. Fui buscar as bolachas que eu tinha guardado no meu guarda-roupa e de repente, o Vaguinho apareceu com um litro de leite perguntando se alguém tinha Toddy, respondi que eu tinha acabado de comprar.

Na hora eu pensei: “Esse Vaguinho é locão mesmo, esse leite vai acabar rapidão porque tem uns 5 muleques aqui na casa.”

Mas, pra minha surpresa, ele veio pra compartilhar o leite com a gente e disse que mesmo que cada um tomasse meio copo, o importante era todo mundo tomar e estar ali trocando ideia.

Achei “muito firmeza” a atitude dele!

Foi uma atitude nobre. Normalmente, quando eu não tinha nada pra comer à noite e a fome chegava, eu saia batendo na porta dos quartos dos amigos mais chegados e pedia um  miojo, um pão ou sei lá o que, mas o anormal era alguém aparecer pra dividir um leite, correndo o risco de ficar só com meio copo.

Nós ficamos  bastante tempo lá na casa, trocando ideia, comendo bolacha e tomando leite com Toddy. Acabou rápido porque a “larica” era grande e a galera queria encher a barriga pra dormir mais tranquilo.

Alguns anos se passaram e esse episódio sempre vem a minha mente. Foi um aprendizado que vou levar pro resto da vida.

O engraçado é que nesse dia que me lembrei dessa situação, parei pra pensar que aqui em casa não falta leite e não falta Toddy, que posso tomar 1 litro sozinho que vai ter outro esperando pra ser aberto. Só que o alimento não vem com os amigos, hoje eu sento à mesa, tenho tudo, mas não tenho os amigos pra compartilhar e trocar uma ideia. A competição maluca do dia a dia, às vezes não abre espaço pra esse tipo de momento.

segunda-feira, abril 11, 2011

Perdas

Depois de quatro meses morando na calle Seoane, no centro de Santa Cruz de la Sierra, e ter aprendido que geladeira, ventilador e carne são importantes para a vida de um ser humano, descobri que tinha novidade mais triste guardada pra mim.

Acordei bem disposto naquela manhã de quinta feira, 10 de junho. Peguei alguns pesos (moeda boliviana) para o "busão" e para o almoço, e fui pro meu estágio no jornal El Día. Chegando lá, meu chefe me incumbiu de fazer uma matéria sobre a Primeira Feira de Automóveis de Santa Cruz. Fui até o local, peguei as informações e voltei pra escrevê - la. À 1 hora da tarde fui almoçar com meu amigo Josué, num restaurante que fica ao lado do Jornal. Voltei, terminei de escrever o texto, me despedi da galera da redação e fui pra avenida pegar o ônibus.

Peguei o “busão” da linha 77, que me deixava a um quarteirão do meu quarto. Tomei um café colombiano e fui até a lan house imprimir um trabalho da faculdade. Entrei no meu Orkut pra ver se tinha alguma coisa e pra minha surpresa... a vida tinha resolvido dar outro rumo na minha história.

Umas mensagens sem sentido que li me deixaram em choque. Corri até o “punto de llamadas” e telefonei pra minha casa. Recebi a triste notícia que meu pai tinha falecido. Fiquei sem reação. Sozinho, comecei a olhar para as pessoas e para os ônibus que estavam num engarrafamento e... ah, deixa pra lá! A vida tinha resolvido me dar uma rasteira.

O vôo pra Cumbica sairia às 4 da manhã. Sem dinheiro no momento, o don Carlos, diretor do orfanato Stansberry, emprestou 600 dólares pra que eu e o Magal pudéssemos voltar. Logo, o Netinho chegou do trabalho e nos levou até a sua casa pra aguardar o horário da viagem. Nem imagino como seria se eu não tivesse essa família da Bolívia ao meu lado, no momento em que eu perdi o chão.

Tristeza e ansiedade até às 4 da manhã. Não consegui jogar futebol no PS2 pra acalmar e o jeito foi ouvir muitas vezes “Como vai seu mundo”, do Dexter. Cheguei às 11 horas da manhã em Santa Isabel.

A vida na capital cruceña era desafiante pra mim. Tudo havia melhorado até aquela data. Eu estava no terceiro semestre da faculdade de jornalismo e tinha conseguido um estágio no jornal El Día. Também tinha comprado uma cama e uma geladeira, tinha um fogão e uma TV emprestada e sempre ia até a casa da Yara pra almoçar, porque arroz com cenoura todo dia estava me deixando seco.

Mas, como a vida tem dessas coisas, a hora de voltar pra Santa Isabel e começar tudo de novo tinha chegado do jeito mais triste possível. Os tijolinhos que eu estava construindo haviam sidos destruídos pela fatalidade da vida e o “barato” tinha ficado “loco” de vez. O ano de 2010 ficou marcado. Foi o ano que eu aprendi a perder e também aprendi que no tempo de angústia nasce o irmão.

Parece uma daquelas frases que se fala da boca pra fora, mas pude viver isso no meio dessa confusão toda. O Magal, a Yara, o Don Carlos, o Neto e a Paola me ensinaram que amizade de verdade é outra “fita” e que mesmo eu não tendo nada pra oferecer, eles estavam do meu lado. Talvez eles nem saibam o quanto sou grato a Deus pela disposição que eles tiveram em me ajudar.

Acho que amigo de verdade se conta no dedo. Melhor assim...

 “Em todo tempo ama o amigo e na angústia nasce o irmão” (Provérbios 17:17).
 

segunda-feira, março 21, 2011

O Chocolate da discórdia

Estava precisando relaxar a mente naquele domingo e resolvi assistir a um filme. Decidi por La Fiebre del Loco, filme chileno que retrata a criatividade do ser humano em desenvolver a maldade quando a ganância toma conta da sua vida.
Excelente história!
Minha mente acalmou, mas fiquei confrontado com o ensinamento do filme.
Segundo o Wikipédia, ganância é um sentimento humano negativo que se caracteriza pela vontade de possuir somente para si próprio tudo o que existe. É um egoísmo excessivo, direcionado principalmente à riqueza material, nos dias de hoje, pelo dinheiro. Contudo, é associada também a outras formas de poder que influenciam as pessoas de tal maneira que seus praticantes chegam ao cúmulo de corromper terceiros e se deixar corromper, manipular e enganar chegando ao extremo de tirar a vida de seus desafetos.
Comecei a pensar nas situações que me deixaram levar por esse egoísmo extremo e me lembrei da Donnalyn, uma menina de seis anos que conheci em Lima, quando viajei para o Peru em 2005.
Essa menininha mora na capital peruana, mais precisamente, no distrito de San Juan de Lurigancho, num morro chamado Cerrito Feliz. A situação de sua família não era muito boa, mas ela sempre estava com um sorriso no rosto. Sei que estar com um sorriso no rosto não quer dizer nada, porque mascarado hoje em dia é “mato”, mas uma criança de seis anos não ia ficar “pagando” simpatia pra ninguém.
Ficamos 30 dias em Lima. Na hora de dormir, eram vários colchões no chão de uma cozinha em construção. Ali nós nos amontoávamos e dormíamos. Como sempre meu guarda roupa era minha mala.
Eu sempre ia até a venda e comprava chocolate chileno pra alimentar meu vicio, e às vezes comprava logo três, comia um e “muquiava” dois na minha mala. Esses dois eu comia quando não tinha ninguém por perto, porque na verdade, não queria dividir com ninguém. Até hoje não sei se era só eu que guardava o maná!
Certo dia, nós fomos fazer um trabalho com as crianças de uma comunidade carente. E antes de chegar, passei na venda e comprei um pacote de bolacha. Ofereci para o Mario e para a Donnalyn e os dois aceitaram. De repente, olhei para a menininha e ela tinha repartido a bolacha em duas partes e foi oferecer a outra criança.
Olhei para o Marião e na hora nós ficamos em choque. Talvez ele também guardasse chocolate na mala, ou não, mas nós sabíamos o quanto de ganância carregávamos no coração.
Fomos desmascarados por uma “niña” de seis anos!
Estávamos lá para falar do amor ao próximo, de repartir o pão e num pequeno gesto, descobri o quanto precisava viver aquilo que eu estava falando. Porque na verdade, falar até papagaio fala.
Talvez seja um exemplo pequeno, comparado às atitudes cometidas no filme, mas eu parei para refletir no egoísmo que eu vivo diariamente e nas maldades que leio nos jornais.
É muito fácil se deixar levar e cair na ilusão do querer e esquecer que ser é mais importante do que ter.
Foi uma boa escolha pra relaxar a mente, já faz um mês que assisti ao filme e até hoje a reflexão está impregnada na minha cabeça.

quarta-feira, março 09, 2011

Caminada que emociona

En un domingo de temperatura agradable y con la calle Seoane tranquila, a las 4 de la tarde Jorge y su esposa Viviane llegaron en la iglesia Kairos para la entrevista.

La iglesia estaba vacía, las sillas no estaban puestas y el clima era de paz y tranquilidad.

Nos sentamos y empezamos a hablar un poco de nuestras vidas. Después de 30 minutos de charla empecé a preguntarle de su historia.

Jorge Eduardo Pórcel Arce, nacido en Santa Cruz de la Sierra, es un ser humano privilegiado.

En su vida se puede encontrar muchas emociones y desafíos que muchas veces fue difícil soportar.

- Hey Jorge, no aparentas tener 32 años, pensé que tenías 24.

- No Marquinho, tengo 32.

Mientras su esposa nos preparaba un cafecito, Jorge me mostraba sus marcas en la cabeza.

Cicatrices que dejan recuerdo del trágico accidente que sufrió hace dos años.

Este camba tuvo una infancia normal, creció en la iglesia y siempre paraba en la casa de parientes porque tus padres trabajaban.

No entró para el mundo de las drogas ilícitas pero desde sus 8 años fumaba cigarrillo y durante su juventud tomaba alcohol con frecuencia.

- Yo tenía todo en mi adolescencia. Tenía mujeres y plata, pero no era feliz.

Aunque frecuentaba la iglesia semanalmente, Jorge tuvo un encuentro verdadero con el Señor cuando tenía 18 años. Su amigo Kadir le influenció. Siempre estaban juntos, pero Kadir no se perdía. No tomaba y no fumaba. Curioso, Jorge quería un cambio en su vida y trancado en su cuarto se puso a orar al Señor:

- Señor, quiero tener un relacionamiento contigo como tiene Kadir.

Estudió Administración General en la Universidad Evangélica Boliviana. Trabajaba en preparación y evaluación de proyectos en la Unidad de Desarrollo Florestal.

Tuvo una relación en secreto con una chica durante un año y en este tiempo se alejó del Señor.

El fruto de este relacionamiento es André, hoy con 8 años.

Cuando André cumplió 3 años, su mamá se fue a algún lado y lo dejó con Jorge. En este tiempo, padre e hijo se quedaran muy próximos y construyeron una linda amistad. Su mamá volvió hace 1 año y ahora lo tiene con ella.

Jorge volvió a Dios después que Andrés nació. Tuvo la oportunidad de ir a una organización misionera llamada JUCUM (Juventud con una misión). Participó de JUCUM en Bolivia y Chile. Se tornó miembro de la iglesia Kairos después de una mala experiencia en su antigua iglesia.

Dice que sus antiguos líderes lo colocaron en disciplina y el castigo por haberse alejado de Dios era no tener ayuda de nadie durante 1 año, o sea, caminar solito. Después de 1 año se fue a Kairos.

Empezó como pastor en 2007.

- Al principio me sentía asustado por la responsabilidad, tenía que ser ejemplo. Hoy todavía siento el peso de la responsabilidad pero ya no estoy asustado.

En Kairos fue donde conoció su esposa. Se quedaran 6 meses como novios y después se casaron.

Cuando todo parecía tranquilo y perfecto, un camión manejado por un hombre borracho intentó borrar la nueva fase en la vida de esta familia.

- Era un día normal y la calle estaba tranquila. Volvíamos a nuestra casa y solo me acuerdo que vía un camión que aceleraba y frenaba. Ya no me acuerdo de lo que pasó…

Su esposa cuenta que el camión vino en alta velocidad y chocó al lado de Jorge, que manejaba.

Ella desmayó pero en algunos minutos despertó. Cuando abrió sus ojos miró Jorge en su falda, totalmente ensangrentado.

Personas llegaron al local para ayudarles. El hombre del camión bajó del vehículo y se durmió en la calle.

Fueron llevados con urgencia al Hospital Niño Jesús. El estado de Jorge era pésimo y los médicos ya le daban como muerto. Le hicieron tres cirugías, dos en el estomago y una en la cabeza. Por no encontraren una hemorragia interna que lo hinchaba, lo llevaron al Hospital

Foianini, uno de los más caros de la ciudad. Ahí le hicieron una cirugía en el estomago y una en la cabeza.

Los médicos no creían en su recuperación y dijeron que su permanencia en el Hospital sería de seis meses. También decían que posiblemente él iba quedarse con deficiencia mental.

Jorge soportó una semana y media en coma. Soportó las cirugías. Y en 29 días salió del Hospital para espanto de todos.

- Los médicos decían que era un milagro y juraban que yo iba a morir.

Son diversas las secuelas. Tiene marcas de las operaciones, su oído y su brazo izquierdo está un poco dañificado y su cabeza tienes algunos huecos.

También hizo cirugía plástica en su rostro, donde también colocaron placa porque estaba muy deformado.

Ya en su casa, dice que tuvo problemas en su cerebro. No tenía emociones, se portaba como una persona bruta y aburrida. Después volvió a su estado emocional natural.

- Mira, y el tipo del camión?

- Fue preso, pero está libre.

No hubo solamente secuelas físicas. 40 mil dólares fue el valor que su familia tenía que pagar.

- El padre del camionero pagó 5 mil dólares. Mi familia hizo almuerzos para recaudar fondos y personas de diversos países mandaron dinero para ayudarnos.

Después de este susto, tenía el desafío de volver a sus actividades normales. Tenía su familia, la iglesia y los nuevos desafíos.

- Volver a la iglesia fue como volver a vivir, fue diferente. Era como conocer de nuevo a la gente.

Hoy, Jorge está en una fase bien especial de su vida. Su esposa está en su séptimo mes de embarazo. Está llegando un hombrecito para traer otras novedades a la casa.

Jorge cree que su esposa fue personaje principal en la fase del accidente. Dice que Viviane en el día siguiente oró a Dios y lo escuchó. Confió en la palabra que el Señor la había dado, que sería una momentánea tribulación. Así pudo caminar firme en esta horrible situación.

Las dificultades no sacaron los sueños de Jorge. Quiere más hijos y trabajar mejor en la iglesia. Tiene la sensación de milagro, que toda esta situación del accidente le enseñó a confiar en Dios, a depender de El, que El suple y nos da a conocer de su carácter a través de las situaciones.

- Marquinho, vale la pena confiar en Dios. Dejar todo al Señor y descansar.

                                                             Entrevista realizada en 03/2010

terça-feira, março 08, 2011

Johab - Olha - PV

Eran las 23­­:00 de la noche del domingo 16 de julio del 2005. Primer día en mi Escuela de Entrenamiento y Discipulado en Juventud con una Misión (JUCUM), San Pablo. Estábamos todos durmiendo, cuando nos despertamos con una fuerte voz que venía del pasillo del alojamiento. Abro la puerta del cuarto, encuentro un tipo moreno, flaco, vestido de chino, gritando que su fiesta de despedida había sido sensacional. Allí empezó nuestra amistad.

Su nombre es Johab da Silva, brasileño, paraibano de nacimiento y paulista de corazón. Un muchacho que tiene muchos apodos. En su iglesia es conocido como hermano Johab, entre los graffiteros y pixadores es el famoso Olha, para su mamá es Jo y para mí es el Trece. En San Pablo el número trece es sinónimo de un tipo loco.

Hace unos tres años que no nos encontramos personalmente. Debido a la distancia geográfica, Trece viviendo en los EE.UU. y yo en  Bolivia, la charla fue por Internet, la tecnología que nos hace sentir más cerca de nuestros amigos.

-         Hola Trece, ¿cómo anda todo por allí?

-         Bien Marquinho, trabajando mucho.

Johab es casado con Kaite, una estadounidense que conoció cuando estuvo en JUCUM Argentina y hace un año que descubre cómo es tener una vida de casado. Pero no ha perdido su alegría de joven, continúa siendo el mismo chico explorador y creativo como cuando era soltero. Explorador porque busca aventuras y novedades para su vida, y creativo porque es un artista con las pinturas y sprays.

-         Trece, ¿cuándo descubriste tu talento en el arte?

-         Empecé a dibujar temprano y me destacaba en las clases artísticas del colegio. En 1990 fui influenciado por la pixaçao. Crecí asistiendo a diversos grupos de pixadores que “destruían” el muro de mi casa. Después empecé a pintar comercios, donde desarrollé mucho mi talento. Así fue…

En San Pablo, Buenos Aires y en algunas ciudades de los EE.UU. es posible mirar sus graffites por las calles. En las salas de algunas casas de familias se puede encontrar sus bellísimos cuadros y en el mundo virtual de la Internet se puede apreciar sus páginas con fotos, videos e informaciones diversas.
Apasionado por el desafío de graffitar trenes, recordó una experiencia espectacular que tuvo. “Estábamos en Carapicuíba – SP, Gueto y yo, en la línea del tren. Ese día pintamos muchos trenes pasajeros y como fue fácil resolvimos volver la semana siguiente para hacer un whole car (coche entero). Tenía más de quince sprays nuevos y Gueto también tenía los suyos. Cuando empezamos a pintar, apareció un monstruo gigantesco (un policía ferroviario) y luego 15 más de ellos con palos corriendo tras de nosotros. Como mi mochila estaba muy pesada, la boté con mi dinero, con la llave de  mi casa y mi polera, solo saqué mi cámara fotográfica. Ese fue un día memorable.”
Johab Silva salió de Paraíba con su mamá y sus tres hermanas hacia San Pablo, después de que sus padres se separaran. Dijo que llegaron a la capital paulista sin nada. Empezaron a vivir en una casita alquilada donde sólo había un colchón, en el famoso barrio Jardín Elba.

-         Trece, ¿tuviste una buena infancia?

-         Sí Marquinho. Fue una infancia perfecta. Sólo no fue más perfecta porque no tenía a mi padre y me influyeron mis amigos más viejos. También sentía la falta de un hermano.

Aunque su infancia y adolescencia fue sin un padre, Johab no siguió el camino de algunos de sus amigos que se perdieron en el mundo del tráfico de drogas, sino que trabajaba en una panadería, donde recibía un el sueldo con el que ayudaba su madre.
Este aventurero no es solo pinturas y muros. También es un aventurero misionero.
“! Fue increíble ! Yo estaba en la línea del tren y sentí el deseo de ir a la iglesia. Pensé: “Hoy es el día”. Dejé a mis amigos con los trenes y me fui al templo cristiano donde mi mamá asistía. Mientras salía, mis amigos me decían que yo estaba loco. Ese día recibí a Jesús como mi Señor y Salvador. Que día más extraordinario… Mi mamá siempre oró por mí, Marquinho.”

 -         ¿Tienes un llamado misionero, verdad?

-         Sí, lo tengo. A la China.

-         ¿Por qué China?

-         No es por qué China, sino Dios decidió la China para mí.

-         Está bien Trece…

Johab Silva pasó 2 años en Juventud con una Misión, en las bases de San Pablo y Buenos Aires. Trabajó mucho en el evangelismo, artes, comunicación y discipulado. Tuvo experiencias maravillosas, pero también experiencias decepcionantes. Dijo que sus líderes de JUCUM San Pablo, su tiempo en JUCUM Argentina y el corte del sustento que tenía de su iglesia, le causaron desilusión.

Ahora está lejos de su familia, viviendo en una nación que tiene una cultura totalmente distinta de la brasileña. Este joven guerrero, que hace milagros con los sprays en sus manos, está fuera del lugar donde todo comenzó. Está lejos de sus amigos y de su familia. Por ironía de la vida, trabaja en una panadería, donde dice que llegó un nuevo jefe que se parece a Adolf Hitler, que es malo con los empleados y piensa que es mejor que los otros.

-         No sé como es vivir ahí Trece, ¿cómo se siente estando en un país tan monstruo como Estados Unidos?

-         Mira…en todos los países perdemos de un lado y ganamos del otro. Aquí con mis trabajos artísticos ya pude comprar algunas cosas que siempre soñé tener, pero extraño la libertad que tenía en San Pablo. Esa libertad ningún dinero me la puede comprar. Siento la falta de mi familia y de mis amigos. Estoy más seguro aquí, pero la vida en esta tierra es sólo trabajo, trabajo y trabajo. La gente es muy cerrada.

Trece tomaba su café brasileño mientras yo le preguntaba sobre sus planes para el futuro. Con tantas oportunidades que surgieron en esta nueva fase de su vida, me contesta diciendo: “Mi futuro está en las manos de Dios, pero eso no impide que yo planifique. Quiero llegar a la China, no sé si está lejos o cerca ese día, pero ya tengo buena parte de los materiales que necesito para desarrollar mi ministerio en esa nación. También quiero estudiar.”

Mi tiempo en el Internet  ya estaba terminando. Trece me mostraba sus nuevos cuadros y me decía que sus trabajos están cada vez mejores y el graffiti corre por sus venas.

-         Así es Marquinho, Dios, familia y calle…!así es y siempre será!

-         Belleza Trece, nos vemos otro día. Te extraño hermano, ¡é nóis! (siempre estaremos juntos).

-         También te extraño loco…

                                                                                                            Entrevista realizada en 12/2009