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sábado, março 30, 2013

Amazing Grace

Às vezes é necessário viver Quebrando Regras. Não estou falando de fazer um Assalto ao Trem Pagador, digo no sentido de sair da mesmice, libertar-se da caixinha social e viver Um Amor para Recordar, ou ser mais radical ainda e caminhar até Canudos para enxergar Além das Montanhas.

É bom viver coisas novas. Passar pela correria da Central do Brasil sendo Um Violinista no Telhado. Ter um coração de Che e em O Nome da Rosa, escrever um Diário de Motocicleta. Anotar na alma os detalhes das injustiças e dO Silêncio dos Inocentes. Desfrutar da vida sem entrar nA Onda da moda e não virar estatística dA Outra História Americana.

O sistema diz que temos quer ser Velozes e Furiosos, porém atentos para não afundarmos igual ao Titanic. Não há tempo para enxergar o Pixote e o Valentin que caminham pelas ruas e avenidas. Não existe espaço para Os Coristas e O Abraço Partido que enraizou-se dentro de casa não importa muito, já que até A Paixão de Cristo foi transformada em comércio.

Infelizmente, As Tartarugas Também Voam nesse gigantesco ringue de Rocky Balboa. O Crime do Padre Amaro continua acontecendo e nem Toda Criança é Especial. É A Febre do Loco! Muitos estão frenéticos À Procura da Felicidade e outros sonham em vivenciar O Milagre de Berna. Cada um por si é o lema, o Sempre ao Seu Lado virou conto de fadas.

Faça a Coisa Certa, pois a Tinta Vermelha continua escrevendo suas histórias tristes. Viva Desafiando Gigantes e não fuja da Prova de Fogo, uma vez que é um desperdício se contentar somente com a brisa e não mergulhar Mar Adentro. Poucos tem coragem de avançar o Território Restrito.

Acredito que a Sociedade dos Poetas Mortos esteja clamando ansiosa por novos adeptos. Buscando intensamente por Escritores da Liberdade que já passaram por algum Click na vida e hoje olham com mais sensibilidade para o ser humano, pois o Crash No Limite há muito tempo passou dos limites e persiste em apodrecer Melancolia em diversos corações.

Enfim, com O Jardineiro Fiel não se brinca e com o Senhor das Armas sempre haverá acordo. No entanto, O Escafandro e a Borboleta mostraram que ao viver um Dia de Treinamento desastroso é melhor arrumar as malas e ir para Kamchatka respirar resistência. Reflita, duvide e critique, jamais permita que o Cisne Negro tire O Segredo dos Teus Olhos

quarta-feira, março 13, 2013

Na escuridão do Vale

Foram meses caminhando pelo Vale da Sombra da Morte. A intensidade da angústia habitava a minha alma ao som de um canto fúnebre, que me lembrava a possibilidade de morrer a qualquer momento. O tratamento era muito doloroso e sofrido. A cada gota de quimioterapia, as veias do braço pediam para explodir. Cheguei a pesar 42 quilos, mal conseguia andar e tomar banho sozinho.

Dores e lágrimas me acompanhavam e me afastavam da fé. A esperança havia acabado. Em meu coração o nome da doença fazia morada e me atormentava: Linfoma de Hodgkim, muito prazer! Apresentou-se como inquilina e roubou-me a paz. Tumultuou meu lar, escureceu meus sonhos.

Fui obrigado a fazer muitas sessões de radioterapias. Após alguns massacres químicos,  enquanto retornava para casa de ônibus, eu vomitava dentro da condução. Sinceramente, sentia-me envergonhado. Os passageiros se assustavam comigo, porém eu não podia fazer nada, estava doente.

Aquele câncer maligno, bem dentro do meu peito, gerava uma aflição tão grande na minha família que parecia um monstro gritando, todas as manhãs, que aquele seria o meu último dia. Esforcei-me ao máximo para aprender a viver um dia por vez e aproveitar meus raros momentos. Mas não era tão fácil assim. Meu corpo ganhou as marcas de um doente que, entristecia ao se olhar no espelho e via que os cabelos já estavam caindo e os ossos encontravam-se enfraquecidos. Coloquei-me à espera da morte.

Quando permanecia no hospital, olhava pela janela e observava com atenção o novo amanhecer. Com a vista cansada e o coração amedrontado, percebia que aquele era o dia que o Senhor havia feito. A rotina desmoronou e a simplicidade das coisas saltaram em direção aos meus olhos quando me deparei com o final da minha história. Talvez aconteça com todos que estão ou já estiveram amarrados no trilho do trem.

Lembro-me de uma amiga de tratamento que aos 18 anos morreu por causa da poderosa Linfoma de Hodgkim. Este fato foi terrível e muito desencorajador, anulando de vez qualquer resquício de esperança que tentava sobreviver no meu ser. Entretanto, naquele mesmo dia em que recebi a péssima notícia, ao contar o ocorrido a um amigo, ele marcou a minha vida com apenas uma frase: "Mano, não dá pra entender essas coisas... Deus abre a boca do leão para alguns e fecha para outros". Essa conversa me trouxe esperança novamente e me fez pensar que Deus traz as pessoas certas, na hora certa, e que meu mano Marquinho só estava ali na minha igreja por causa de uma única pessoa.

O tempo foi passando e fui surpreendido com um ataque cardíaco. Devido a quimioterapia, uma veia do meu coração ficou fraca e causou essa situação, mas após seis meses ela se fortaleceu novamente.

Uma vez, dentre as dezenas de momentos de desespero, liguei para o meu pastor Roberto Soares para desabafar e dizer que eu iria morrer. Ele me escutou e disse calmamente: "Filho, você não vai morrer" - estas palavras me deram confiança para continuar.

Durante os três anos de tratamento nunca estive sozinho. A minha mãe, a minha querida avó, minha prima Ângela e toda a minha família, junto com meus amigos, sempre estiveram presentes. O Marcelinho, marido da Karin, aparecia todos os dias pra conversar comigo e me ajudar a carregar aquela pesada cruz. É sempre bom ter um amigo. Ele me deu tanta força naqueles dias de tempestade que até hoje não tem ideia dos resultados de cada conversa e de cada abraço.

Não sei o porquê de Deus ter fechado a boca do leão para mim. Vi muita gente morrer. Alguns pensavam que iam viver, mas perdiam a luta. Houve noites em que sonhei que eu havia falecido e outras que me via gelado na gaveta de um necrotério. Também tive sonhos em que me encontrava dentro de um caixão. E no dia em que sonhei que receberia alta do hospital, fui contemplado e voltei para a minha casa.

Todas estas experiências me ensinaram que ninguém é melhor do que ninguém, com ou sem dinheiro, somos todos iguais. A vida é um sopro... Foram dias de muito tormento, mas estou aqui. Pensei que não iria chegar muito longe, mas aqui estou. O mais importante não é o tanto que a gente bate, mas o tanto que a gente leva e consegue permanecer em pé - palavras do Rocky Balboa que me fortaleceram.

Hoje, olhando pela janela, vejo a esperança de um dia melhor...

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé!
2 Timóteo 4:7

Ricardo Branquinho está curado e continua vivendo em Rolândia- PR, junto com sua esposa Regiane. Ele foi uma das pessoas mais extraordinárias que conheci até hoje.



terça-feira, março 05, 2013

Lo siento

Lo siento
Pero no logro vivir
Esta canción que viene hacia mi alma
Como una hermosa enamorada
Que dice palabras dulces
Invitándome a bailar
En las calles del vacío
Donde los colores que importan
No son aquellos de la caída del sol
Y el canto que encanta
Se parece con el pájaro
Que herido agoniza
A espera de la muerte.