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quinta-feira, julho 12, 2012

Bastidores de uma partida

Domingo é dia de descanso, mas quando o São Paulo joga é difícil descansar. Ainda mais quando sobra uma graninha, aí o jeito é pegar o "busão" e ir para o Estádio!
Nesse último domingo (17/06/12) foi assim. O São Paulo ia receber o Atlético-MG no Morumbi. Começo de campeonato, jogo sem muitos holofotes. Mas, não tem problema, assim que é bom e contra o galo é melhor ainda.
Sempre que o São Paulo joga contra esse time de Minas Gerais, eu me lembro do Brasileirão de 1996, quando eu, meu pai, o Dodô e o Galvão fomos até Belo Horizonte e, infelizmente, passamos um dia de guerra ao redor do Mineirão.
Não gosto de lembrar esse dia. Foi uma situação tão extrema, que até hoje está gravada na memória.
Mas estamos em 2012, então, além de a partida contar com craques como Luis Fabiano e Ronaldinho Gaúcho, a diretoria do Tricolor resolveu homenagear os jogadores que conquistaram a nossa primeira Taça Libertadores da América. Era uma tarde que tinha que ser coroada com uma vitória do São Paulo.
Bom, acordei umas dez horas da manhã com a voz da minha mãe. Ela estava perguntando pro Fom que horas iríamos sair, se tomaríamos café, se ia dar tempo de almoçar. Também disse para tomarmos cuidado no caminho por que haveria outros jogos no mesmo horário, portanto, deveríamos estar atentos com as outras torcidas.
Conselhos de mãe são profecias. É bom atentar para quem sabe o que está falando.Colocamos as blusas na mochila e descemos até o ponto para esperar o "busão", que não tardou. A Dutra estava tranquila e, como eu não havia almoçado, não via a hora de chegar na Armênia e comer um pastel de carne na feira. O motorista corria bem e quando estávamos em Guarulhos, passamos por alguns ônibus da torcida do Atlético que acabavam de chegar da Fernão Dias e esperavam a escolta policial.
Olhei os ônibus parados e os "maluco" xingando os motoristas que passavam. Comecei a pensar, sobre as brigas de torcidas e sobre a disposição que alguns torcedores têm em se doar e lutar por um objetivo.
Talvez para o Sistema, é melhor acontecer conflitos entre torcidas do que uma revolta contra o Governo. Os poderosos sabem jogar, eles não são burros. Mas enfim, eu não ia brigar e estava com fome, portanto, um pastel de carne e um caldo de cana, por favor!
Depois de comer, continuamos o trajeto. Metrô, ônibus e mais vinte minutos de caminhada até o Morumbi. O clima estava tranquilo ao redor do estádio, ao contrário do meu estômago que continuava reclamando. Resolvi comer um pernil. Mas existia um grande problema. O "Rapa" estava caçando os vendedores e eu não conseguia encontrar nenhum carro que estivesse vendendo sanduiche. Até que apareceu uma senhorinha avisando que mais à frente havia uma "lanchonete muquiada". O Fom pediu dois pernis e duas cocas. Sentamos na calçada e partimos para a segunda parte do nosso almoço.
Enquanto estávamos lá no carro do lanche, chegou um pai com seu filho. Os dois com a camisa do São Paulo. O menino deveria ter uns dez anos e estava eufórico. Pediram  dois “dogs” e se juntaram a nós. Fiquei observando os dois, lembrei de quando meu pai me levava para todo canto para ver o Tricolor jogar, a mente foi longe.
Novamente me perguntei se seria possível, algum dia, existir torcedores conscientes de toda a máfia que envolve o futebol moderno. Imaginei que sim, a geração do menino poderia pensar diferente e lutar por algo nobre.
Enquanto eu refletia sobre o futuro do mundo, o filho, todo contente, se levantou e começou a chutar seu pai, mas na brincadeira. O pai, com um olhar de indignação e pronto para ensinar os famosos bons modos para seu filho, disse: Moleque, para de chutar o pai. Vai até aquela árvore, imagina que é um corinthiano e comece a chutar até você se cansar.
O Fom me olhou, nos levantamos, pagamos a senhora, subimos a rampa da entrada e fomos ver o São Paulo ganhar de 1 a 0 do Atlético.

sábado, julho 07, 2012

Era possível

Aquela mente possuía ideias extraordinárias.

Havia algo distinto, uma percepção mais aguçada, talvez.

Sonhava.

Imaginava que a desbotada parede branca do quarto poderia ser transformada em uma parede de ares esperançosos.

Sabia, claramente, que os móveis da sala clamavam por modificações, pois aquela mesma arrumação trazia más lembranças.

Sorria quando entendia que, ao ler poesias, luzes chegariam aos seus olhos.

Compreendia que o caminhar, ainda que seja em passos lentos, liberta da mesmice.

Também percebia que os copos novos que moravam no armário da cozinha e que esperavam uma data importante para serem usados,  lamentavam o desperdício de estarem mofando no quotidiano especial.

Mas, apesar de enxergar magnificamente e ansiar por dias melhores, havia um inquilino em sua alma que não permitia tais mudanças...

o medo!