Páginas

sexta-feira, agosto 25, 2017

70 vezes 7

O amor é retirado
Trauma é instaurado
E tempos de caos
Invadem o coração
Trazendo doença, culpa e destruição.
A mente apodrece
Rebobina e não esquece
Atormenta até o osso
Sempre no alvoroço 
Solução pra isto?
Talvez o ensinamento do Cristo
Nosso intermédio
Que ensina que o perdão
Ainda é o melhor remédio.

quinta-feira, agosto 17, 2017

Primeira paulada #1

Vamos lá...

Meu nome é Pedro e minha história com as drogas começou um pouco tarde, com 16, 17 anos mais ou menos. Era segundo semestre de 1998 e, movido pela curiosidade, procurei conhecer os efeitos da maconha. Não quero entrar na discussão se a maconha é ou não a porta de entrada para outras drogas, estou aqui somente para contar a minha história. Eu já fumava cigarro e tomava bebida alcoólica, a maconha veio para matar mais uma curiosidade que eu tinha.

Fumava todo dia. E após um tempo de uso resolvi experimentar a cocaína. Confesso que não gostei. Eu apreciava a euforia momentânea, mas não curtia o gosto ruim que ficava na minha garganta após cheirar o pó. Nessa época também comecei a usar outras substâncias "não tão relevantes” como a cola de sapateiro, a benzina e o thinner.

Bom, já havia consumido muitas substâncias, não é? Mas a minha curiosidade me levou atrás do crack, o tão falado crack. Os caras que eu conhecia e que haviam experimentado a droga diziam que era a coisa mais prazerosa que eles usaram. Contudo, me alertaram sobre as sequelas causadas pelo uso. Resolvi ignorar os contras e me deliciar com os prós do crack. Grande erro.

Numa bela tarde, enquanto fumava um baseado num campinho, dava risada e falava besteira com os camaradas, um traficante chegou, cumprimentou a gente e se sentou para também fumar. Eu nunca tinha dinheiro no bolso, mas naquele dia eu tinha recebido um troco de um bico que havia feito. Não pensei duas vezes e comprei três pedras.

Eu não sabia como fazer o uso da droga, mas os caras que estavam comigo me ensinaram na hora. Aprendi o ritual e dei a minha primeira "paulada". Não senti nada de extraordinário, mas o efeito do barato ia aumentando conforme eu ia fumando.

Desse dia em diante comecei a colher momentos desagradáveis em minha vida. Trouxe tristeza e dor aos meus próximos. Perdi a confiança das pessoas. Foram sete anos envolvido e vivendo em função do bagulho. Sete anos parado no tempo...

Foi triste ver a minha mãe sofrendo, desesperada com a minha situação. Perdi a namorada. Sai no soco com meu irmão. Não construí nada na minha vida. Tudo que eu conseguia eu derretia no cachimbo. Nesse tempo vi meu pai falecer na minha frente. Foi um conjunto de situações ruins que me abraçaram e me roubaram a vida.

Graças a Deus e aos amigos eu estou vivo para contar esta história. Não consigo consertar o passado, mas faz 10 anos que estou reescrevendo meu presente. Parece história de final feliz, mas não cuspo pra cima. Preciso estar atento para não ceder nunca mais a esta criptonita.

sexta-feira, junho 02, 2017

Primeiros 10km

Não era sonho de criança nem hobby de quem chegou aos 30 e não virou jogador de futebol. Tudo começou quando eu me mudei pra Maringá e já não tinha os amigos pra jogar bola durante a semana. Então, para não enferrujar, comecei a correr ao redor da Vila Olímpica, sem pretensão de participar de nenhuma prova.

Corria e caminhava durante uma hora, três vezes por semana. Até que um dia me falaram de uma tal prova da Tiradentes que acontecia na cidade, que era um importante evento do calendário anual dos corredores maringaenses, e o percurso unia dois parques da região central. O problema é que eram 10 quilômetros e eu não aguentava correr nem 5.

Bom, aceitei o desafio e escolhi a Prova Rústica Tiradentes para ser a minha primeira corrida. Aumentei o ritmo de treino e melhorei a alimentação. Escolhi a Vila Olímpica e o Bosque 2 para serem meu CT da Barra Funda.

Os treinos me animaram e um mês antes da prova consegui, finalmente, completar os 10km. Foi uma sensação que nunca havia experimentado. No Bosque 2, sozinho e debaixo de um sol quente, comecei a correr os primeiros quilômetros sem a pretensão de completar os 10km correndo. Caso não aguentasse, eu caminharia um pouco, pois era um treino e treino é treino, não precisaria me matar tanto. Respeitar o meu limite era importante.

Foi da hora. Até os 5 primeiros quilômetros eu sabia que aguentava, mas depois eu não sabia o que me esperava. Quando eu saio pra correr, nos primeiros 15 minutos eu sempre penso mil fitas. A mente parece entrar num liquidificador e muitos pensamentos começam a surgir. Geralmente, após o terceiro quilômetro, o cérebro começa a acalmar, eu "entro" nas ruas da Filadélfia e corro com meu amigo Rocky Balboa até a escadaria do Museu de Arte.

Este treino foi marcante. Após meia hora correndo, do quinto quilômetro até o décimo, comecei a lembrar de algumas fases da minha vida onde eu precisava de resistência e superação. Situações em que eu não poderia parar por nada e teria que continuar a corrida da vida, por mais que as circunstâncias gritassem que a melhor opção fosse a desistência.

Também lembrei de alguns amigos que sempre me apoiaram e me aconselharam. Amigos que eu posso conversar sem restrições e em quem busco sabedoria quando preciso tomar alguma decisão. A sensação era que eles estavam ali, naquele treino, falando pra eu continuar até fechar os 10 quilômetros.

O corpo cansado pedia água e descanso. As pernas já sinalizavam algumas dores, mas eu não parei. Até que os ponteiros anunciaram o fim do jogo. A euforia e a alegria vieram me abraçar e a vontade de gritar era tão forte como um gol do São Paulo. Porém, não gritei. Tomei água e descansei durante alguns minutos antes de voltar pra casa. Naquele momento eu descobri que aguentaria correr a prova, que aconteceria dali um mês. A confiança era monstra. Eu havia vencido o desafio de correr sem parar durante 10 quilômetros, com o tempo de 1:06:49.

A expectativa aumentou. Já me imaginava completando o percurso e colocando a medalha no peito, tipo a sensação do Rocky chegando no final da escadaria. Sem querer, conheci um fascinante esporte que, além de mexer com a minha imaginação e melhorar a minha saúde, eu não precisaria competir com ninguém, a disputa seria sempre comigo mesmo. E, a partir daquele momento, a meta seria baixar o meu tempo e chegar inteiro no dia da Prova.

terça-feira, abril 11, 2017

Fábrica de Pinóquios

Na fábrica de Pinóquios,
Desço a marreta nos pregos,
Sem interferência nas sequências,
Abalo o sistema das caras de madeira,
Trinco o imposto,
Trinco o modelo,
Trinco o padrão,
Ótima hora para a destruição...
Mental, emocional!
Chega de jornal...
Nacional.
Muita panela, pouca unidade.
Mentiras ao ar para distorcer a verdade,
Por isso é sem massagem,
Rasgo diploma, liberto da insônia, costuro veias,
E continuo martelando e descendo a marreta.
Chega de explicação!
Sim, é contramão!
Aqui tem sangue,
não é groselha não.