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quinta-feira, agosto 17, 2017

Primeira paulada #1

Vamos lá...

Meu nome é Pedro e minha história com as drogas começou um pouco tarde, com 16, 17 anos mais ou menos. Era segundo semestre de 1998 e, movido pela curiosidade, procurei conhecer os efeitos da maconha. Não quero entrar na discussão se a maconha é ou não a porta de entrada para outras drogas, estou aqui somente para contar a minha história. Eu já fumava cigarro e tomava bebida alcoólica, a maconha veio para matar mais uma curiosidade que eu tinha.

Fumava todo dia. E após um tempo de uso resolvi experimentar a cocaína. Confesso que não gostei. Eu apreciava a euforia momentânea, mas não curtia o gosto ruim que ficava na minha garganta após cheirar o pó. Nessa época também comecei a usar outras substâncias "não tão relevantes” como a cola de sapateiro, a benzina e o thinner.

Bom, já havia consumido muitas substâncias, não é? Mas a minha curiosidade me levou atrás do crack, o tão falado crack. Os caras que eu conhecia e que haviam experimentado a droga diziam que era a coisa mais prazerosa que eles usaram. Contudo, me alertaram sobre as sequelas causadas pelo uso. Resolvi ignorar os contras e me deliciar com os prós do crack. Grande erro.

Numa bela tarde, enquanto fumava um baseado num campinho, dava risada e falava besteira com os camaradas, um traficante chegou, cumprimentou a gente e se sentou para também fumar. Eu nunca tinha dinheiro no bolso, mas naquele dia eu tinha recebido um troco de um bico que havia feito. Não pensei duas vezes e comprei três pedras.

Eu não sabia como fazer o uso da droga, mas os caras que estavam comigo me ensinaram na hora. Aprendi o ritual e dei a minha primeira "paulada". Não senti nada de extraordinário, mas o efeito do barato ia aumentando conforme eu ia fumando.

Desse dia em diante comecei a colher momentos desagradáveis em minha vida. Trouxe tristeza e dor aos meus próximos. Perdi a confiança das pessoas. Foram sete anos envolvido e vivendo em função do bagulho. Sete anos parado no tempo...

Foi triste ver a minha mãe sofrendo, desesperada com a minha situação. Perdi a namorada. Sai no soco com meu irmão. Não construí nada na minha vida. Tudo que eu conseguia eu derretia no cachimbo. Nesse tempo vi meu pai falecer na minha frente. Foi um conjunto de situações ruins que me abraçaram e me roubaram a vida.

Graças a Deus e aos amigos eu estou vivo para contar esta história. Não consigo consertar o passado, mas faz 10 anos que estou reescrevendo meu presente. Parece história de final feliz, mas não cuspo pra cima. Preciso estar atento para não ceder nunca mais a esta criptonita.

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