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quinta-feira, novembro 03, 2016

O gol que nunca saiu

Ficar com o grito de gol engasgado na garganta é desesperador. Ver a bola indo pra fora, batendo na trave, o goleiro agarrando ou o atacante furando e perdendo aquele gol feito transforma o coração do torcedor em uma panela de pressão que fica prestes a explodir, mas não explode.

A sensação angustiante de querer a alma lavada por um gol perturba até o torcedor mais calmo. Não importa o lugar, em casa ou na arquibancada, com o radinho na orelha ou em frente à TV, todo torcedor quer soltar o grito e esquecer da vida na hora do gol.

Alguns mudam de canal, se ajoelham, fecham os olhos na hora do pênalti, cantam pra empurrar o time e até acendem vela ao lado da TV. Tudo para ver a bola ultrapassar a linha do arco do goleiro.

Às vezes o gol é necessário para um empate, e quando a situação é essa, os ponteiros do relógio se transformam em uma ampulheta, que não nos permite contar os grãos de areia. O tempo passa numa velocidade de carro de Fórmula 1 e o grito pode permanecer entalado para sempre.

Quando falta somente um gol para uma vitória apertada, o desespero também é gigante. A satisfação de gritar, cantar e ver a torcida adversária de cabeça baixa não tem preço. Porém é necessário acertar o pé e balançar a rede. E quando isso não acontece, faz o peito carregar eternamente o "foi por pouco".

Cada torcedor tem guardado em seu coração um ou vários gols que não aconteceram. Aquele gol que não saiu e fez brotar um vazio existencial por alguns segundos, dias ou anos.

Eu também tenho um gol marcado na minha alma. Era 1994, final da Libertadores da América. O jogo tinha ido para os pênaltis e o São Paulo lutava para ganhar o Tricampeonato. E quando o jogador Palhinha foi para a cobrança, eu me ajoelhei na sala de casa e rezei, olhando atentamente para a televisão. Ele tomou distância, correu e chutou no canto esquerdo do goleiro Chilavert, que pulou e defendeu...

Até hoje eu espero, ansiosamente, por aquele gol. Às vezes assisto o replay para ver se o goleiro pula para o outro lado.



Um comentário:

  1. Po**a, nesse texto você apelou.
    Falar sobre o gol que não aconteceu, aí foi f**a.

    Tenho alguns na memória, e já assistir muito replay(reportagem) torcendo por um resultado diferente.

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