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sábado, julho 19, 2014

Intensa despedida

Quatro anos se passaram desde a última vez que pisei nas terras do coração da América do Sul. Lugar interessantíssimo de se conhecer e um mapa da mina de se morar. E para alimentar as lembranças, em uma dessas noites extraordinárias, sonhei que perambulava novamente, atrás do pavio perdido, pelas ruas do centro de Santa Cruz de la Sierra.

Sensação aprazível até então, enquanto meus passos me guiavam para algum lugar que não me recordo. Talvez seguisse o aroma do café da Praça 24 de setembro ou ansiava por um pão de queijo da “7 calles”. Provavelmente uma visita à imigração ou montando o quebra-cabeça de mais um trabalho da faculdade. Impossível descobrir o meu rumo.

O impressionante foi que nenhum conhecido apareceu. Como se sucedeu um dia, assim permaneceu nas rápidas imagens que invadiram meu sono. Aqueles pequenos flashes abrilhantaram minha mente de tal maneira que pude deslumbrar as cativantes ruas estreitas, com seu trânsito encantador, cheio de microônibus e corollas, sujeira e barulho, sorrisos e abatimentos.

Foram poucos minutos de nostalgia até o ápice da estória. Enquanto prosseguia meu destino, algo surgiu como uma bomba em meus pensamentos e me perturbou: “Não sei o que faço aqui de novo, e não me lembro de ter me despedido da minha família”.

A falta do abraço, do tchau e do boa viagem da minha mãe e do meu irmão me fizeram parar no meio daquela desconhecida rua do centro e padecer sentimentos torturadores que berravam em meus ouvidos um cântico de ingratidão e vazio. Parei, olhei para trás, para frente, para o lado, e a imagem mágica que só as despedidas proporcionam não chegaram à minha mente.

Sim, eu havia fracassado no quesito “Despedida Familiar”.

Como já era de se esperar, acordei confuso e assustado. Andei sonolento até a cozinha atrás de um copo com água e no caminho acordei minha mãe e meu irmão. Falei um aliviado boa noite fora de hora e continuei o meu trajeto.

Antes de abrir a porta do meu quarto meu irmão reclamou:

- Tá ficando louco?

- Tô não, mano. Dorme aí. Amanhã te explico – respondi e voltei a dormir.

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