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quinta-feira, março 13, 2014

Psicose noturna

Qualquer barulho que chega aos meus ouvidos possui o talento de roubar o meu sono. Impossível permanecer de olhos fechados perante aos ruídos desconhecidos que cruzam o silêncio noturno. Será que o meu quintal será o próximo?

Já invadiram a casa dos vizinhos. Um dia eles voltarão na calada da noite e não perdoarão meu cachorro, nem o varal. E se no dia não houver roupas no varal? Arrombarão a porta ou a janela? Talvez não, bem provável que desistam. Certamente, planejarão o retorno.

Para eles o limite não existe. Sentem prazer antes, durante e depois. Tudo é válido e o futuro é agora. Sou alvo, sou inimigo, sou meta. As madrugadas são enigmas e os grilos já não ousam celebrar as estrelas. A severa atenção é um desabafo silencioso.

Cadê meu pai? Onde estão os que vagam? Devo orar? Estou sozinho e só tenho uma lanterna. Conseguirei me defender e garantir a tranquilidade do lar? Meu cachorro dorme em profunda paz. Eu não, eu estou atento com uma lanterna apagada na mão.

Não confio. Eles pularão o muro a qualquer momento. Sou sentinela, não pregarei os olhos. Que venham. Minha lanterna está carregada e meu cachorro já descansa na sala. A fresta da janela é minha aliada e meu algoz não espera o contra-ataque.

Danço valsa com a insônia enquanto aguardo ansiosamente os primeiros raios de claridade. Somente eles me trarão segurança e me presentearão com sonhos que jamais recordarei.

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