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quarta-feira, setembro 18, 2013

O menino e o fim do arco-íris

Enquanto os dias não proporcionavam muitas novidades para aquele menino, o caminhar em meio às terras secas e asfaltos esburacados era rotineiro, e escreviam em sua vida páginas e páginas de histórias variadas, muitas vezes sem sentido.

Ele sabia que a vida não estava tão ruim assim, como a do garoto da lenda do pote de ouro no fim do arco-íris, porém, quando olhava para o céu e avistava um raro arco de sete cores, se empolgava e desejava procurar o tão famoso prêmio oferecido para quem achasse o encontro entre o fenômeno e o chão.

Só que ele não era tão biruta assim, a ponto de sair atrás de algo que lhe diziam ser somente uma lenda. Imagina que loucura, andar tantos quilômetros e nunca chegar a lugar nenhum. É uma utopia. Alguns sábios dizem que a utopia serve para tirar a pessoa do comodismo e do conforto, levando-a a viver uma vida com significado.

Em meio a estes pensamentos, aquele menino prometeu a si mesmo que ao avistar o próximo arco-íris, ele sairia em disparada e só retornaria após encontrar o pote de ouro. Apesar de parecer uma expressão gananciosa, ele não amava a quantia que poderia ganhar, somente desejava caminhar por novos lugares e mergulhar em uma nova história.

O grande dia não tardou a chegar. Após nuvens carregadas chorarem durante horas, o céu se abriu e a famosa aliança entre Deus e o homem sorriu timidamente, convidando-o para uma nova jornada. Ele não hesitou em esperar e, sem pensar duas vezes, tomou um novo rumo, sem atalhos, placas ou bússolas.

Embora já houvesse saído do seu vilarejo algumas vezes, ficou maravilhado ao ver pessoas com estilos diferentes de roupas, com semblantes alegres e tristes, com expressões esperançosas e olhares fúnebres de quem não acredita mais no perdão. Também enxergou a modernidade arquitetônica dos prédios e os avanços tecnológicos que sempre estavam na mão de alguém.

Achou interessante tudo aquilo, mas seu objetivo era outro. Talvez, algum gnomo, se é que existe, tenha realmente escondido aquele tesouro e jamais alguém o encontraria. Caso contrário, o menino pensava: eu localizarei o que busco e voltarei para levar esta boa nova à minha família.

Já estava exausto e não mais de cinco vezes parou para beber água. Hidratou-se em bicas, lagos e torneiras até chegar, após horas de caminhada, a outro vilarejo. O sotaque daquelas pessoas soava como quem fala cantando e suas músicas eram de ritmos que ele nunca havia escutado. Ficou fascinado com a cultura e a recepção recebida.

Ali, almoçou, descansou, fez amigos e perguntou se alguém conhecia o local exato do fim do arco-íris. Seus novos camaradas riram e lhe apontaram a única trilha que poderia levar o sonhador até o seu sonho. Ele sorriu, agradeceu e disse que logo mais voltaria para contar-lhes as possíveis novidades.

Diferente do que ele pensava, a trilha era tranquila. Não havia perigo de algum malfeitor lhe prejudicar. Contudo, a atenção estava redobrada e a ansiedade gritava em seu interior. A vontade de chegar era tão grande que cada minuto parecia uma eternidade.

Durante o caminho, relembrou situações marcantes de sua vida. Pensou tanta coisa que não conteve as lágrimas. Os arquivos de sua mente lhe trouxeram histórias fantásticas que havia vivido e agora uma nova vida emergia em meio a uma nova caminhada, com itinerário ainda secreto.

De repente, aquelas cores se fizeram notar mais próximas. O menino olhou como quem não acreditava no que acontecia. Finalmente ele havia chegado ao seu destino. Ajoelhou-se, colocou suas mãos na cabeça e sorriu como há anos não sorria. A satisfação que o envolvia arrancava de sua boca palavras de gratidão que explodiam de seu coração.

Levantou-se e caminhou seus últimos passos até o seu presente. Seus olhos brilhavam e agradecia a Deus por tão importante momento. Agora poderia voltar para casa e contar aos seus pais, irmãos e amigos, que não há pote de ouro no final do arco-íris, e sim, algo muito mais valioso.

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