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sexta-feira, junho 01, 2012

Rotina da dor

Moisés tinha o hábito de chegar "chapado" em sua casa. Era um "sem-limites", viciado em algumas "substâncias" destrutivas.

Certa ocasião, em uma madrugada de domingo, chegou "muito loco" em sua residência. Como de costume, sempre que chegava nesse estado, entrava no "sapatinho".

Abriu o portão, desceu pela escada, bateu à porta e chamou sua mãe. A senhora não despertou, estava desfrutando do único dia que poderia acordar um pouco mais tarde.

Ele, pensativo, caminhou até o muro e encostou-se. Colocou a mão no bolso, pegou sua carteira e descobriu que a chave da porta estava ali, bem escondida.

Sorriu. Pegou a chave e, com a sutileza de um alfaiate que coloca a linha na agulha, tentou encaixá-la na fechadura. Mas, como a sua visão não estava além do alcance, não conseguiu completar a missão.

Confuso, apoiou-se no tanque de lavar roupa que ficava ao lado da porta e tomado pela ânsia, vomitou.

A paciência se foi e com um pouco de raiva, "enfiou" o pé na porta, resolvendo a situação de uma vez.

Houve um barulho, mas sua mãe, bela como era, permaneceu adormecida.

O garoto entrou, se deu conta que a mãe não havia acordado, foi até o seu quarto, tirou a camisa e atirou-se na cama. "Desmaiou", de tênis e calça jeans.

Ao amanhecer, sua mãe, ainda sonolenta, espantou-se ao entrar na cozinha. Viu a porta quebrada e foi verificar se seu filho encontrava-se no lar.

Com olhos de decepção, daqueles que só as mães possuem, sentiu um aperto no coração ao ver seu filho "apagado" como um cadáver e imundo como um porco no chiqueiro. O quarto fedia podridão.

Extremamente entristecida, voltou para a cozinha, preparou o café, sentou-se à mesa e, sozinha, ao som do tic-tac do relógio da parede, tomou a primeira refeição do dia.






7 comentários:

  1. Não sei qual dor é maior: da mãe ou do filho. Eu estou do lado da mãe, mas sei que Deus está do lado dos dois. É A VIDA, NOSSA VIDA. Paz. - Renato Chamlet

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  2. Mãe é mãe! Rainha!
    Flávio Gaspar

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  3. É... Nossas mães nos criam, sonham com uma vida diferente, e nós filhos errôneos que somos, procuramos caminhos que ao invés de gerar um belo sorriso nelas, provocamos muitas vezes decepção e lágrimas, sentimento de frustração, pois questionam Deus, perguntando-o: "Senhor, onde eu errei?"

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  4. Eu também não sei qual é a dor maior, mas quando ela vira rotina vai se acomodando dentro da gente e nos tornamos entorpecidos. Tem dor maior para uma mãe ver seu filho infeliz, ausentando-se de sua verdadeiro EU e se tornando outra pessoa? A bebida rouba aquilo que temos de mais nosso, a nossa identidade. Essa mãe deve sofrer demais pela ausência de seu filho que se tornou outro homem, acredito que para ela, um desconhecido.Bene

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  5. dá ora....realidade em vários lares
    roger

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  6. ...ja ouvi essa historia la no cdm..jejejje by Yara

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  7. Eu acho incrível que, por maior que seja a dor das mães, elas continuam dignas de virarem santas...

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