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quinta-feira, junho 23, 2011

A Casa da Cultura

A sua família é importante pra você? Sim? Não? Só quando você precisa?

Essa pergunta me inquieta e me impulsiona a ser melhor em meu ambiente familiar. Eu tento melhorar a cada dia porque sei que posso ser um melhor filho para a dona Terezinha e um irmão mais “firmeza” pro Fom.

Hoje em dia, com a rapidez da informação, não é difícil se deparar com notícias sobre famílias que estão sofrendo pela falta de estrutura. Talvez essas notícias causem desesperança em outros lares, mas ainda existem bons exemplos que resistem!

Em 2009, morei com uma família que me ensinou a valorizar e a enxergar as pessoas além dos seus erros.
Ao invés de chorar pelas dificuldades e imperfeições de cada um, buscava na unidade e na verdade a resposta para um lar mais estruturado.

A residência era bonita e agradável. O quintal era grande e tinha algumas árvores. A rua era de terra, a cidade era Santa Cruz de la Sierra e o país era a Bolívia. Mas, o que fazia a casa ser especial eram as pessoas que moravam nela. Iraí, Silvia, Ana e Toshie, essa é a família que eu chamo de “A Família da Casa da Cultura”.

Bom, a Silvia é esposa do Irai e juntos são os pais da Ana. A Toshie foi morar com eles porque sua família estava no Japão.

O dia-a-dia era corrido. Cada um tinha seus afazeres. Mas, mesmo assim,  a correria não tirava os momentos em família. No almoço, todos nós comíamos juntos ao redor da mesa, e na janta também. Nesse tempo de alimentação surgiam assuntos de todo tipo. Falávamos do governo, de missões, de família, do passado, do futuro e da “minazinha” da venda que nunca me atendia.

Nós também tínhamos o “tempo de família”. Toda sexta nos reuníamos e compartilhávamos como foi nossa semana e quais dificuldades estávamos vivendo. Isso era ótimo porque fortalecia a amizade e trazia a oportunidade de ajuda mútua.

A Anita era a alegria da casa, tinha um aninho na época e já era elétrica. Não parava um minuto, mas eu não me espantava porque ela tinha a quem puxar.

A Silvia sempre estava atenta com a Anita e com o Irai. Era uma pessoa muito disposta e cozinhava super bem, deixava todo mundo feliz!

A Toshie era a minha irmãzinha. Ela “mirava película” comigo e quando eu não entendia os filmes sem legenda, ela traduzia pra mim. Ela dizia pra eu não falar em português, mas ela sabia o porquê de eu não tentar falar em espanhol perto dela. Ah, ela também conhecia toda a historia do continente americano e me ajudava a lavar louça!

Bom, o Iraí lia mais livros que o Jô Soares. Na casa, ele era o nosso conselheiro. Sempre verdadeiro, falava na cara o que tinha que falar. Sempre acreditava no potencial das pessoas. Era um incentivador, um Barnabé contemporâneo.

Eram culturas diferentes, idiomas diferentes, estilos diferentes e talentos diferentes. Por essas diferenças eu apelidei a casa de “A Casa da Cultura”. Foi uma experiência espetacular.

É muito fácil sermos estranhos em nossa própria casa e vivermos num ambiente vazio e egoísta. Com eles, aprendi que o caminho é o diálogo, o respeito e o amor citado em 1º Coríntios 13.

Hoje, dois anos e meio depois, cada um está em uma parte do mundo. Estão ensinando outras pessoas a valorizarem suas famílias no Canadá, no Japão e no Brasil.

- Hasta siempre Família!